publicado em 30/11/2018 às 13h51
Queremos tão somente um Exame de Ordem justo! Nada além!

Depois da manifestação pública do futuro presidente da República sobre o Exame de Ordem, as manifestações sobre a legitimidade da prova foram imensas, e as redes sociais ficaram bem agitadas.

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Curiosamente, ao contrário do que supõe o senso comum, os estudantes de Direito e bacharéis, em sua maioria, NÃO são contra o Exame de Ordem.

Ao contrário!

A necessidade da prova é reconhecida pela maioria, pois não é difícil de perceber a degradação do mercado da advocacia e também há o reconhecimento de que as faculdades hoje formam muitas pessoas que não têm condições de ingressar na advocacia.

O pleito, em regra, converge para apenas um pedido: um Exame de Ordem justo!

E o que seria um Exame de Ordem justo?

1 - Inscrição a um valor acessível

O valor da inscrição no Exame de Ordem é fonte de permamente reclamação dos examinandos (examinandos, e não "OABeiros", pelo amor de Deus!) e é, efetivamente, caro se considerarmos as condições de quem está para iniciar a vida profissional. 

Examinando é um ser pobre por definição, AINDA na expectativa de ingressar no mercado, dependente dos pais ou de empregos que ainda não pagam muito bem. 

O valor de R$ 260,00 pode parecer pouco, mas o pouco sempre depende do ponto de vista (e do bolso) das pessoas. E para quem vai fazer o Exame, creiam, é muito.

2 - Provas objetivas sem pegadinhas

Vamos falar de um exemplo bem recente sobre questões feitas para derrubar. A questão de Ética que foi retificada neste XXVII Exame de Ordem.

A questão, como pontuei ainda no dia da prova, NÃO está errada. E tanto não está que a OAB a reconheceu como válida e a retificou. 

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Em que pese a questão não estar errada, ela simplesmente é DEPLORÁVEL.

Ela me lembrou de um tempo em que eu reclamava, e muito, das questões com pegadinhas da FGV. Esse tipo de questão desapareceu da prova após o X Exame de Ordem, a pior edição do Exame de Ordem de todos os tempos, mas agora a FGV resolveu voltar com esse tipo de construção.

Um enunciado feito para derrubar o candidato pela ASTÚCIA da sua formulação, e não pelo domínio do conteúdo jurídico.

E isso simplesmente desmoraliza a prova perante os candidatos.

Também desmoraliza questões com disciplinas alienígenas ao edital, como eleitoral ou previdenciário. Tudo bem que sejam interdisciplinares, mas elas simplesmente não deveria estar lá.

Assim como questões com erros materiais que não são anuladas (independentemente da amplitude do erro) ou mesmo questões copiadas de provas anteriores, como na edição passada.

E esse é o ponto: a imagem!

Uma coisa é a OAB bater o pé e assumir eventual questão questionada como legítima, outra, completamente diferente, é termos questões construídas simplesmente para derrubar, formuladas com astúcia, cujo propósito passa longe de avaliar pura e simplesmente conhecimento.

Isso gera uma PÉSSIMA imagem da prova!

Estou falando da reputação do Exame, que a OAB e a FGV teimam em não cuidar.

Morrer abraçado com a certeza de que uma questão altamente questionada está certa não é nem útil e nem benéfico para o Exame de Ordem.

A prova pode ser difícil, como já afirmo há anos aqui. Ela só não pode ser astuciosa, com questões bisonhas cujo objetivo é derrubar por derrubar. Isso não é o objetivo do Exame de Ordem.

3 - Nível de dificuldade condizente com o objetivo da prova

Já ouvi e li inúmeras vezes de representantes da OAB que o objetivo do Exame de Ordem é o de aferir as condições mínimas para o exercício da advocacia.

Não é isso que acontece na prática. 

O nível de dificuldade do Exame, e isso é demonstrável simplesmente comparando questões entre diferentes edições da prova, só faz subir.

E sobe cada vez mais ao longo do tempo.

Um exemplo: nunca 3 provas seguidas de 1ª fase foram consideradas difíceis. Agora, após o XXVII, temos 3 edições seguidas com um grau de dificuldade bem considerável, sendo que a última prova foi o ápice desta evolução.

A prova tem como escopo o de avaliar mimimante as condições técnicas dos candidatos. Não deve ser vista como uma prova para concurso público.

4 - Estabilidade estatística na prova

Por que uma edição vem mais fácil e outra vem como se fosse a espada do apocalipse? E não fala isso por mero achismo: é tudo embasado nas estatísticas da prova.

Por que o grau de dificuldade da prova não é linear?

Esse jogo é péssimo para os candidatos, que ficam na expectativa da prova e também, sem a menor sombra de dúvida, injusto com quem faz a prova. 

Por que os aprovados no XXIV Exame pegaram uma prova mais tranquila, enquanto os candidatos do XXIII enfrentaram a pior prova de todos os tempos? Por acaso os inscritos em uma edição são mais "especiais" do que os demais?

Não faz sentido!

A dificuldade deveria ser linear entre todos os examinandos e todas as edições.

5 - Reconhecer que erra

A banca erra, erra sempre e mal e mal reconhece suas falhas. São 13 edições sem anulações, e todas, sem exceções, com ao menos uma questão manifestamente errada.

O fato da OAB não anular não significa que a prova é tecnicamente escorreita!

O que a Ordem NÃO ENXERGA é que para si mesma a prova está a mil maravilhas, mas para o mundo lá fora ela cada vez mais atrái críticas.

Esse histórico de 13 edições sem anulações CONSPIRA CONTRA a imagem do Exame, e não o contrário!!!

E querem saber por quê? Simplesmente porque quem faz a imagem do Exame de Ordem para o mundo não é a OAB, mas sim a OPINIÃO de centenas de milhares de examinandos. São eles que dominam o discurso sobre a percepção do Exame de Ordem, e não a OAB.

Isso é de uma obviedade assombrosa, e a Ordem se recusa a enxergar o óbvio. Se contenta em se convencer internamente mas esquece completamente da opinão pública.

Um permanente tiro no pé!!!

 

Não é difícil fazer uma prova da OAB isenta de críticas. É só não querer inventar a roda e fazer o arroz com feijão de forma inteligente, recuando quando deve recuar e reconhecer que eventualmente erra.

Não há nada demais nisso.

Todos só têm a ganhar com isso.



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