publicado em 22/02/2018 às 17h35
Pela primeira vez em dez anos, mais de 60% dos jovens médicos são aprovados no Cremesp

Os resultados do Exame do Cremesp 2017 foram apresentados hoje de manhã (22/02), em coletiva de imprensa, realizada na sede do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Os jornalistas foram recepcionados pelo presidente do Cremesp, Lavínio Nilton Camarim, pelo vice-presidente, Renato Françoso Filho, e pelos coordenadores do Exame, o 1o secretário, Bráulio Luna Filho, e o conselheiro Reinaldo Ayer de Oliveira, que também apresentaram os dados do Exame e responderam aos questionamentos da imprensa.

Resultados do Exame do Cremesp 2017 apontam que mais da metade dos recém-formados em escolas médicas do Estado de São Paulo foi aprovada na avaliação. Nos últimos dez anos, é a primeira vez em que os resultados apontam mais de 60% de aprovação. De um total de 2.636 egressos de cursos de Medicina que participaram do Exame, em 2017, 64,6% – ou 1.702 – acertaram mais de 60% das 120 questões da prova, porcentagem que o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) considera mínima para a aprovação. Os outros 35,4% - ou 934 participantes - acertaram menos de 60% das questões.

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Em comparação ao Exame de 2016, houve melhora no desempenho dos novos médicos. O índice de aprovação deste ano foi 21% maior do que os 43,6% registrados em 2016.

Desde o início do Exame, há 13 anos, as escolas participantes recebem um relatório pormenorizado de desempenho de seus alunos por área de conhecimento – preservando-se a identidade dos mesmos – para que possam ter subsídios para corrigir falhas ou aprimorar os cursos avaliados. Também recebem o relatório os ministérios da Educação e da Saúde, o Conselho Federal de Medicina, a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Ministério Público e os Conselhos Nacionais de Saúde e de Educação, entre outros órgãos.

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Para Bráulio Luna Filho, 1º secretário do Cremesp e coordenador do Exame, a melhora pode estar relacionada à importância que a prova vem ganhando no Estado de São Paulo nos últimos anos. A partir de 2015, a participação no Exame do Cremesp começou contar como critério para importantes programas de Residência Médica, concurso público e, ainda, para contratação de médicos no setor privado. “Além disso, desde o início do Exame, há 13 anos, as escolas participantes recebem um relatório pormenorizado de desempenho de seus alunos por área de conhecimento – preservando-se a identidade dos mesmos – para que possam ter subsídios para corrigir falhas ou aprimorar os cursos avaliados”, analisou Luna Filho. “Em 2017, tivemos pela primeira vez, um simulado para os participantes se familiarizarem previamente com o modelo de prova, o que também pode ter contribuído para o crescimento da aprovação”, completou.

“O Exame do Cremesp é uma importante ferramenta para que os recém-formados testem seu conhecimento, para que as escolas possam ter parâmetros de desempenho por áreas, e, também, para garantir uma Medicina de qualidade para a população assistida”, destacou Lavínio Nilton Camarim, presidente do Cremesp. “O crescimento na aprovação sinaliza que os colegas recém-formados estão se preparando melhor e dando maior importância à prova, assim como, demonstra a real necessidade de uma avaliação sistemática e obrigatória”, destacou Camarim.

Prova

A 13ª edição do Exame do Cremesp foi realizada no dia 22 de outubro de 2017 nos municípios de Botucatu, Campinas, Marília, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São Carlos, São José do Rio Preto, São Paulo e Taubaté. Aplicada pela Fundação Carlos Chagas (FCC) e composta por 120 questões de múltipla escolha, a prova - com duração de até cinco horas - abrangeu as seguintes áreas: Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Pediatria, Ginecologia, Obstetrícia, Saúde Pública, Epidemiologia, Saúde Mental, Bioética e Ciências Básicas.

Para ser aprovado, o candidato deveria responder corretamente a 72 questões, o que corresponde a um percentual de acertos de 60%. Os critérios e a metodologia foram os mesmos utilizados e validados nos exames anteriores. Realizada desde 2005, a avaliação tornou-se um instrumento cognitivo com confiabilidade, o que é comprovado, a cada ano, por dados quantitativos e qualitativos, relatórios detalhados, análises psicométricas e similaridades dos resultados, quando se analisa a série histórica.

Escolas privadas tiveram melhora significativa no desempenho

Como em anos anteriores, as escolas médicas paulistas privadas tiveram maior percentual de reprovação que os cursos públicos. No entanto, houve aumento importante de aprovação em comparação ao Exame de 2016 entre os egressos das instituições privadas, passando de 33,7% para 56,8%. Já entre os cursos de Medicina públicos, 79,7% dos alunos foram aprovados, em 2017, também superando os resultados de 2016, com 62,2%. (Quadro 2)

Das 46 escolas médicas em atividade no Estado de São Paulo em 2017, 32 foram avaliadas no Exame - as demais, abertas há menos de seis anos, ainda não haviam formado turmas à época do Exame. Em 2018 (até fevereiro), já são 57 escolas médicas no Estado, sendo 53 em atividade.

Obrigatoriedade do Exame

A 13ª edição do Exame do Cremesp contou com uma nova pergunta no questionário que os recém-formados preenchem ao fazer a inscrição para a prova. A nova questão pedia a opinião do participante sobre a obrigatoriedade da prova. Entre o total de inscritos, 83,2% responderam que acreditam que o Exame do Cremesp deveria ser obrigatório para recém-formados em Medicina no Estado de São Paulo. Em relação à motivação para realizar a prova, 53,5% destacaram a importância que o Exame tem perante a residência médica e 19,4% responderam ser um desafio para testar conhecimentos no final do curso Médico. Em outra pergunta envolvendo a opinião do inscrito, 70% consideraram boa ou ótima a atuação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.

Cremesp lança Campanha para Exame Obrigatório

O Conselho está empenhado para que se torne obrigatório, em todo o território nacional, um exame para recém-formados no curso de Medicina. Assim, lançou uma campanha para conquistar a adesão dos médicos, autoridades, estudantes, formadores de opinião e a população em geral sobre a importância desta avaliação como medida para a qualificação profissional e o incentivo à boa formação. A petição on-line pode ser acessada em exameobrigatorio.com.br

Mercado de trabalho passa a exigir Exame do Cremesp

A partir de 2015, a participação no Exame do Cremesp passou a ser critério para acesso a importantes programas de Residência Médica (RM) e, também, para participação em concursos públicos nos âmbitos estadual e municipal.

Dentre as instituições que consideram o Exame do Cremesp como critério para contratação, estão as secretarias de Saúde do Estado e do Município de São Paulo, os hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz, integrantes da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Unimeds de Ribeirão Preto, Santos, Jundiaí, Presidente Prudente, Botucatu, Bauru, Alta Mogiana (Hortolândia, Sales Oliveira, Morro Agudo, São Joaquim da Barra, Nuporanga e Ipuã) e Norte Paulista (Aramina, Buritizal, Guará, Igarapava, Ituverava e Miguelópolis).

O Exame também passa a ser considerado para ingresso nos programas de Residência Médica nas Faculdades de Medicina do ABC, de São José do Rio Preto, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Santa Casa de São Paulo, Universidade de Santo Amaro (Unisa), Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas e, também, os hospitais do Servidor Público Estadual (Iamspe), Albert Einstein, Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz. Em 2017, o Exame do Cremesp ganhou a adesão do Hospital do Coração (HCor), que passará a considerá-lo entre os critérios de avaliação para Residência Médica.

Relatório Cremesp 2017

Em todos os casos, a exigência é condicionada apenas à participação no Exame, independentemente da nota que o recém-formado tenha obtido na prova. O Conselho não divulga, de forma alguma, nem aos empregadores e programas de RM, as notas dos participantes.

Fonte: Cremesp



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