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publicado em 15/01/2019 às 10h49
O controle do tempo de prova da 2ª fase da OAB

O domínio do tempo durante a prova subjetiva da OAB representa um elemento chave para o sucesso de qualquer candidato.

Existem outros elementos importantes, mas o tempo e o conhecimento estão acima de todos. O conhecimento vocês estão adquirindo neste exato momento, e ainda terão mais alguns dias para consolidá-lo. Já o tempo é imutável.

Não existe negociação nenhuma com o tempo: ele passa e nada vai mudar isso.

Essa percepção prévia é fundamental para moldar o comportamento de cada um de vocês na hora da prova. Como o tempo não é elástico, saber utilizá-lo torna-se VITAL.

Vital mesmo, pois não saber utilizá-lo pode levar o candidato a amargar a reprovação. E isso ocorre com bem mais frequência do que vocês imaginam.

Como treinar neste último final de semana antes da 2ª fase da OAB

Não são raros os examinandos que deixam de responder as questões, ou as respondem de forma açodada, porque dedicaram tempo demais à peça. E as questões são importantes para se lograr a aprovação.

Equilibrar o uso do tempo, portanto, é algo que precisa ser pensado, e trabalhado, antes da prova.

E como pensar o uso do tempo?

Como organizar o espaço e a distribuição do texto na sua peça prática

A longa prática nos diz como funciona a sucessão de eventos durante a prova. Aqui, é importante frisar, trata-se de uma percepção média, pois o uso do tempo depende diretamente da estratégia adotada. Mas, em regra e na média, conforme o modelo de estratégia que desenvolvemos há mais de 9 anos, a sucessão dos eventos se dá da seguinte forma.

O domínio do tempo durante a prova subjetiva da OAB:

1 - Leitura e compreensão do enunciado da peça

O enunciado nunca é lido apenas uma vez. Nunca! O enunciado deve ser, em regra, lido 3 vezes seguida, além de, é claro, ser consultado ao longo da elaboração total da peça.

Mas, de plano, o candidato deve ler o enunciado pelo menos 3 vezes para ter a convicção de que entendeu o seu sentido como um todo e, especialmente, para ter certeza quanto a peça correta, fator fundamental em toda a prova.

2 - Leitura e compreensão das questões

Logo após a leitura da peça o candidato deve ler as questões. Ele poderia se dedicar integralmente a peça, resolvê-la por completo, para depois fazer as questões, mas isto não é recomendável. É importante, logo de cara, tomar ciência da integral dimensão da prova e, em especial, estabelecer para si mesmo se as questões são passíveis de serem resolvidas ou não.

O candidato lê a peça, lê as questões e já "sente" se tem boas condições de ser aprovado ou não. Aqui entra o fator conhecimento: quem domina a matéria, ao ler o enunciado, já antecipa a própria capacidade de resolver o problema.

E, claro, já consegue dimensionar - aproximadamente - quanto tempo vai gastar resolvendo tudo. Vamos admitir a realização prévia de vários simulados e provas. Quem treinou antes consegue imaginar o uso do tempo de forma abstrata.

3 - Após a leitura e compreensão, a definição da divisão do tempo

A peça, sempre, ficará com o maior quinhão do tempo, não só por ser decisiva na prova como também por ser mais extensa e complexa do que as 4 questões juntas.

Portanto, é razoável dividir o tempo da seguinte forma: 3 horas exclusivas para a peça e as 2 horas restantes para as questões e eventuais pausas.

Sim, pausas acontecem, como ir ao banheiro, por exemplo, ou comer e beber alguma coisa.

4 - A disciplina na divisão

Após a divisão, a disciplina: é preciso respeitar a divisão do tempo efetivada.

Daqui surge o grande problema: a dedicação excessiva de tempo à peça e a negligência às questões. O respeito ao tempo dividido é fundamental para e elaboração com qualidade da prova como um todo.

É um pecado errar neste ponto por mera distração. Não se permitam isto!

Mas também isso ocorre por um motivo totalmente involuntário: a definição da peça prática pode se tornar bem cascuda. E isso, claro, atrapalha o domínio do tempo durante a prova subjetiva da OAB.

5 - A causa principal da falha do domínio do tempo durante a prova da OAB:

Vou dar 3 exemplos de casos que prejudicaram candidatos e os fizeram negligenciar involuntariamente as questões, porque perderam tempo demais na peça:

XX - Provas de Civil e Empresarial

Já na vigência do novo CPC a banca cobrou duas peças situadas cronologicamente no tempo do antigo CPC. Ou seja, a conta não fechava.

Muitos candidatos perderam tempo tentando definir qual código deveriam usar, o novo ou o velho. A dúvida era pertinente, e isso atrapalhou o desenvolvimento do raciocínio de muita gente.

XIX - Prova de Penal

Muitos candidatos simplesmente não sabiam fazer a peça - contrarrazões de apelação - porque seus respectivos cursinhos não haviam ensinado a sua elaboração.

Um tempo imenso foi perdido pelos candidatos mal-treinados, incapazes de definir qual seria a peça correta. Muitos, por absoluta falta de opção, também fizeram uma apelação, mesmo que a lógica do enunciado não permitisse isso.

Mas as escolhas, entre outras peças, só ocorreram após muita dor de cabeça e indecisão.

E todos estes, sem exceções, reprovaram.

XVIII - Prova de Tributário

Um enunciado confuso gerou um belo problema. Muitos candidatos apresentaram como solução ao problema proposto um agravo de instrumento, quando a resposta correta era um agravo interno.

O problema principal estava na redação da peça, que deu a entender uma peça em detrimento de outra. Não era uma redação clara, e isto foi altamente problemático para os candidatos.

A dúvida na lógica do enunciado é o pior dos problemas.

Os casos acima revelam como a banca pode ser madrasta com os candidatos (exceto na prova de Penal) e como eventualidades podem atrapalhar o completo desenvolvimento e o domínio do tempo durante a prova da OAB.

Mas os problemas em regra ficam adstritos a uma das provas. A regra é termos provas normais para a maioria dos candidatos. Todavia, se alguma intercorrência surgir, será impossível fugir dela. E a gestão do tempo na prova da 2ª fase da OAB terá de ser feita da mesma forma.

As apostas para a prova do XXVII Exame de Ordem

Como não é possível antecipar problemas, e nem adivinhar como eles poderão ser, a única orientação para este caso é, dentro do possível, manter a calma e achar a solução mas razoável possível dentro do problema apresentado.

Mas, claro, vamos torcer para as provas virem normais.

Uma verdade: o nível da 2ª fase, apesar dos problemas, subiu demais após o X Exame de Ordem. No próximo domingo provavelmente teremos provas de qualidade.

Pois bem!

Reflitam muito sobre o domínio do tempo durante a prova da OAB. Ele será vital na hora da verdade.

Ao longo da semana trabalharemos também o conceito de resolução estratégica da prova, e o tempo se encaixa perfeitamente nesse novo desenvolvimento.



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