publicado em 27/02/2018 às 15h00
Disciplina sobre o Golpe de 2016 vira febre em universidades federais

Está em curso uma "febre" em universidades federais do país. E essa febre atende por um nome bem específico: "O Golpe de 2016."

Tudo começou na semana passada, quando a Universidade de Brasília (UnB), em seu curso de Ciência Política, criou pioneiramente o aludido curso sobre o golpe.

Em sua ementa, sob orientação do professor Luis Felipe Miguel, ficou definido que o curso tem como objetivo analisar a "agenda de retrocesso" importa pelo governo do atual presidente, Michel Temer, com foco em entender os "elementos de fragilidade" do sistema político brasileiro responsáveis queda da então presidente Dilma Rousseff.

O governo do presidente Temer reagiu, prometendo processar por improbidade administrativa os responsáveis pelas aulas sobre “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”:

"Em nota, o ministro da educação Mendonça Filho disse lamentar que uma instituição respeitada como a UNB se aproprie do bem público para “promoção de pensamentos político-partidário”. O MEC informou que “irá encaminhar solicitação para a Advocacia-Geral da União (AGU), ao Tribunal de Contas da União (TCU), à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Ministério Público Federal (MPF) para a apuração de improbidade administrativa por parte dos responsáveis pela criação da disciplina na Universidade de Brasília (UnB) por fazer proselitismo político e ideológico de uma corrente política usando uma instituição pública de ensino”

Fonte: O Estado de Minas

O ex-reitor da UnB, Dr. José Geraldo de Sousa Júnior, protocolou ontem, em resposta, um pedido para verificação de abuso de autoridade por parte de Mendonça Filho. Além de alegar constrangimento e ameaça ao direito de ensino do cientista político, a denúncia pede verificação de abuso de autoridade por parte do Ministro da Educação.

Ministro da Educação é denunciado por crítica a disciplina sobre 'golpe'

Em solidariedade, o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade de Campinas (Unicamp) também anunciou que vai ofertar a mesma disciplina ofertada pela UnB - "O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil", inclusive emulando o nome original criado pelo professor Luís Felipe Miguel.

Unicamp cria disciplina sobre "golpe de 2016" em apoio a professor da UnB

E hoje, mais duas instituições federais anunciaram que irão ministrar a mesma disciplina: Universidade Federal da Bahia e a Universidade Federal da Paraíba:

"Vinte e dois professores da área de Humanas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) se juntaram para oferecer a disciplina “Tópicos Especiais em História: O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”.

A decisão veio após o Ministério da Educação tentar excluir da oferta do curso de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UNB) uma disciplina de igual nome. A disciplina será oferecida pelo Departamento de História (FFCH-UFBA) e disponibilizada de forma eletiva para todos os departamentos e pós-graduações da UFBA."

Fonte: Mídia Bahia

"O Departamento de Filosofia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), através do Grupo de pesquisa sobre Ensino de Filosofia e Filosofia Marxista realizará o curso de extensão “O golpe de 2016 e o futuro da Democracia no Brasil”. A atividade, aprovada em Reunião Departamental, será coordenada pelo professor Valmir Pereira. Serão oferecidas 40 vagas para estudantes e professores da UEPB que pretendem aprofundar a temática. Das 75 horas/aula previstas, 65 horas serão reservadas para a parte teórica (presencial), enquanto 10 horas serão destinadas à parte prática, que consiste na produção textual."

Fonte: UEPB

Michel Temer, e isso é absolutamente notório, atrai antipatias de todos os lados. Tem um índice de rejeição absurdo e nunca vai se livrar da péssima imagem pública que criou para si mesmo.

Vamos ver até onde essa febre vai e quais serão suas consequências.



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