publicado em 12/12/2012 às 08h53
Brasil é o pais que tem o maior número de escolas de Medicina no mundo. Conselho quer prova semelhante à da OAB

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) defende que concessão de registro profissional de médicos seja condicionada à aprovação em um exame específico, de caráter obrigatório. Exatamente como acontece com os bacharéis em Direito, que para obter o registro e assim poder trabalhar como advogados têm de passar pelo exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

“A OAB tem uma lei específica que permite não fornecer o registro para o advogado que não passar na prova da ordem. Nós não temos essa lei na Medicina. Temos alguns projetos de lei tramitando no Congresso Nacional”, disse o presidente do Cremesp, Renato Azevedo Júnior, em entrevista à repórter Cláudia Manzano, da Rádio Brasil Atual. “Nós defendemos que seja obrigatório até para o registro profissional. Se o formando não passar numa prova desse tipo, deve voltar para os bancos escolares por mais um ano

Segundo o Cremesp divulgou na última semana, não estão aptos a exercer a profissão mais da metade dos 2.600 formandos que fizeram uma prova realizada pelo conselho como requisito obrigatório – mas não eliminatório – para a obtenção do registro médico. Eles acertaram menos de 60% das questões, o que é considerado insatisfatório. O exame apurou que há deficiências na formação dos estudantes em campos essenciais do conhecimento médico. Chamou a atenção da entidade o baixo índice de acertos em Saúde Mental (média de 41% de acertos), Saúde Pública (46,1%), Clínica Médica (53,1%) e Ginecologia (55,4%).

“A prova que a gente aplica é de conhecimentos básicos que o médico tem de ter para atender bem à população. Nessa prova a gente teve um resultado muito preocupante. Mais de metade dos que fizeram a prova não conseguiram acertar 60%", disse Azevedo Júnior. "Pela nossa experiência com exames anteriores, quem não consegue acertar 60% de uma prova desse tipo tem uma formação deficiente e vai ter dificuldade para exercer a profissão de uma maneira adequada.”

Segundo ele, foi preciso tornar a prova obrigatória – até 2011 era facultativa – para se ter uma visão mais ampla do ensino da Medicina no estado. “Infelizmente isso não trouxe alívio para a categoria. O exame mostrou que o desempenho das instituições é preocupante e que a fiscalização da qualidade das escolas prejudica a população.” Azevedo ressaltou que o Ministério da Educação deve se manifestar a respeito. “A gente está mostrando uma realidade na esperança de que o Ministério da Educação, que tem a responsabilidade de fiscalizar o ensino superior no Brasil, tome alguma providência no sentido de, inclusive, fechar faculdades que não têm condições de formar médico, faculdades que não têm professor nem em quantidade nem em qualidade para o ensino."

Segundo o presidente do Cremesp, o Brasil é o pais que tem o maior número de escolas de Medicina do mundo. "Já passou o tempo em que o problema era a falta de ensino. Hoje a prioridade deve ser a qualidade. Afinal de contas, ninguém merece ser atendido por um médico mal formado”.

A Associação Médica Brasileira (AMB), em parceria com as associações de cada especialidade, já aplica uma prova para os médicos que terminam a chamada residência. Nesse caso, os médicos que não atingem pontuação mínima não obtêm título na área – ao contrário do que tem acontecido com formandos em Medicina que vão mal nas provas do Cremesp e mesmo assim obtêm o registro e vão ter pacientes sob sua responsabilidade.

Vítimas de erros

A criação de uma prova nos moldes do exame de Ordem da OAB também é defendida por Luiz Carlos Soares da Silveira, presidente da Associação de Defesa das Vítimas de Erro Médico em São Paulo (Advitem). "Uma prova bem elaborada, com uma primeira fase que exigisse do candidato conhecimentos necessários para a boa prática da profissão e uma segunda fase dissertativa, aumentaria o rigor na obtenção do registro profissional. Haveria redução de cerca de 80% na ocorrência de erros médicos", estima Silveira.

Os principais casos de erro médico estão associados a falhas no diagnóstico, segundo o dirigente da Advitem. "Muitas vezes o paciente é encaminhado diretamente para uma cirurgia desnecessária, cheia de riscos, por causa de erros na hora de identificar o problema."

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério da Educação (MEC) esclarece desconhecer as bases e as matrizes das provas que serviram para a avaliação dos estudantes de Medicina do estado de São Paulo. Segundo a nota não cabe, neste momento, nenhuma consideração a respeito.

Com relação as faculdades de Medicina do estado de São Paulo, como de resto em todo o país, o Ministério da Educação informa manter uma constante avaliação por meio do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior. E que o ciclo de avaliação do ensino superior é de três anos. As escolas de Medicina que estão abaixo da média 3, no Conceito Preliminar de Curso (CPC) ou no Índice Geral de Curso (IGC), deverão ser reavaliados no ano seguinte. Se mantiverem a mesma avaliação serão sancionados. Além do processo de supervisão poderão ter suspenso seu processo de seleção.

Fonte:

Que beleza! Já éramos os campeões no Direito, por termos mais faculdades jurídicas, e agora vem essa revelação: somos os campeões mundias em números de faculdades de medicina. Invejem-nos, China, Índia, EUA, Rússia, etc, etc, etc... O ensino superior no Brasil é business, nada além disso. O compromisso é com o lucro, e não com a formação. As aprovas de avaliação, como o Exame de Ordem, o do CRC e o do Cremesp mostram isto. Vejam também: Editorial da Folha de São Paulo: Aferir a capacidade dos novos médicos deveria ser uma questão de Estado  



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